Viva a vulva! ou A Origem do Mundo

O Brasil é líder mundial na realização de cirurgias íntimas, a chamada ninfoplastia. Como se não fosse suficiente, as cirurgias estéticas genitais viraram moda entre as adolescentes. Em uma realidade como essa, a obra A Origem do Mundo – Uma História Cultural da Vagina ou a Vulva vs. o Patriarcado se torna essencial.

Os quadrinhos, escritos e ilustrados pela sueca Liv Strömquist, que, além de quadrinista, estudou ciência política, traçam um panorama histórico, cultural e social, recheado de referências bibliográficas, de como ao longo dos séculos o sexo feminino foi objeto de controle e padronização. O texto é tão rico em informações que vale a pena ler e reler várias vezes para absorver o máximo de conhecimento possível.

A história aponta o interesse exagerado de homens nas “genitálias femininas”. Médicos, escritores, teólogos, psicólogos, historiadores, filósofos… a lista é grande dos que se tornaram obcecados em decifrar e definir as mulheres através de características biológicas.

No uterus, no opinion

O livro ajuda a entender o problema dos mitos e tabus que envolvem os órgãos sexuais femininos e mostra diversas estratégias – muitas bem absurdas – utilizadas em diferentes pontos do mundo e da história para domar, castrar e padronizar o sexo feminino.

Escracho e prazer feminino

Um dos pontos principais levantados pela autora é a ignorância da existência da vulva, fato que se relaciona fortemente com o desejo das mulheres de diminuir seus lábios genitais.

O texto de Strömquist é radical: A Origem do Mundo… carrega humor ácido e muito irônico, com ilustrações bastante escrachadas, como é possível perceber logo pela capa do livro. Tudo isso parece suficientemente coerente, já que de fato é revoltante reconhecer as opressões, cortes e desinformação sofridas pelas mulheres e suas vaginas e vulvas.

Enquanto a gente viver em uma sociedade dominada pelo patriarcado, isso não terá fim para as mulheres, já que culpabilizar o prazer é um dos maiores e mais efetivos instrumentos de controle. Entender como a situação foi desenhada é o começo do caminho para a mudança.

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